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Ribeira Grande em 2025

Com esta reacção por parte da Atlantico Weekly às duas regrinhas escritas por nosso amigo Paulino Dias na sua página de Facebook ao Sr. Presidente da Cãmara Municipal da Ribeira Grande de Santo Antão, Eng. Orlando Delgado, inauguramos o espaço de opinião e debate na Atlantico Weekly.

Em primeiro lugar queremos por umas perguntas ao nosso amigo Paulino Dias. O Paulino começa o seu discurso com uns dados interesantes – mas negativos – ligados ao concelho de Ribeira Grande. Escreveu entre outros que “o Concelho de Ribeira Grande exibe indicadores sócio-económicos que lhe colocam na cauda do desenvolvimento a nível do país: 44% da população de Ribeira Grande é considerada pobre – muito acima da média nacional de 26,6% (QUIBB 2007)”. Então seria bom saber um pouco mais das razões deste taxa alta da pobreza no concelho, que talvez esta ligada ao numero elevado de agricultores de subsistência nas zonas rurais?

O autor tambem explica que “uns 15% dos jovens entre 15 e 24 anos no Concelho estão desempregados (CENSO 2010)”. Isto e mal para quem faz parte deste grupo, mas temos que por este numero numa perspectiva internacional: hoje em dia uns 18% dos jovens na União Europeia estão desempregados. Na Holanda por exemplo, um pais que ainda encontra se entre os melhores economias da União Europeia, a taxa fica so um pouco debaixo da taxa  da Ribeira Grande. Então sera que a Ribeira Grande não esta a fazer tão mal enfim?

Um terceiro assunto no discurso do Paulino trata das transferências dos emigrantes para o concelho. “As transferências de emigrantes por habitante do Concelho (21,7 contos/ano) são de longe inferiores à média nacional (27, 2 contos/ano), conforme dados do Banco de Cabo Verde relativos a 2011”. Paulino tem por explicação “o déficit de confiança dos emigrantes, por falta da tal visão inspiradora” da parte da politica local. Bom, é possivel, mas também não seria bom saber um pouco mais sobre estes dados? Que montante de transferências chega nos outros concelhos rurais? A grande parte do dinheiro talvez acaba nos grandes polos de desenvolvimento do pais (Praia, Sal)? E como evoluiram estes dados no tempo? Talvez a Ilha de Santo Antão por muitos anos recebeu relativamente poucas transferências e é so agora, nos ultimos anos, que a taxa esta a subir? Como podemos explicar o “boom” na construção de moradias para emigrantes em Ponta do Sol, em Povoação e em outros lugares do concelho?

Mas enfim, o autor segue com umas cinco idéias para melhorar a Ribeira Grande e de facto, todas as cinco idéias são boas. Como escreveu: “São ideias concretas, objectivas, sustentáveis, relativamente simples de implementar, de alto impacto estratégico e sócio-económico (sobretudo a nível de geração de emprego e de renda) e que não exigem grandes investimentos financeiros”.

As idéias sao:

1. Em articulação com o processo de preparação do III Plano de Desenvolvimento de Santo Antão em andamento, sugiro-lhe promover uma ampla discussão pública sobre o futuro do Concelho de Ribeira Grande, com uma pergunta-chave: que Concelho queremos ter em 2025?

2. Transformar o bairro de Tarrafal num bairro turístico especializado em artesanato e um ponto de atração na ilha de Santo Antão.

3. Para resolver de forma criativa e sustentável o problema dos chiqueiros que cercam e asfixiam a bela Cidade de Ribeira Grande, sugiro-lhe a promoção de uma cooperativa de criadores de porcos,

4. Promoção de uma empresa de agenciamento de alojamentos familiares para estimular o ecoturismo no Concelho de Ribeira Grande, através da criação e gestão de uma base de dados na internet, onde os turistas poderiam directamente visualizar informações sobre famílias disponíveis a receber turistas e escolher a em cuja casa gostariam de pernoitar.

5. Mapeamento e divulgação dos pontos de interesse histórico-turístico do Concelho de Ribeira Grande – Circuíto “Inside Ribeira Grande´s history”.

Então é preciso fazer mais esforço na promoção do concelho da Ribeira Grande. Algumas acções ja forma feitas este ano, como o curso para taxistas e motoristas. Mas temos que pensar em oportunidades e não pensar demais em dados problemáticos. O turismo, como sabemos todos, deve ser o futuro motor da economia da Ribeira Grande. Eis a nossa aposta – e desafio para 2025!

O turismo rural e agro-turismo é muito bom e sustentável. É preciso promover mais emprendimentos turisticos pequenos. Mas não podemos esquecer atrair turistas que tem capacidade de gastar muito mais dinheiro do que os turistas que vem agora, na sua maioria com sandes de quejo na mão. A Ribeira Grande tem que oferecer também turismo de alta qualidade. Somos, juntamente com o concelho de Paúl, um destino turistico “exclusive” e não é facil chegar no local (só depois um ou dois aviões, um barco e uma hora no carro).

Há espaço no concelho para pelo menos mais dois hoteis de quatro ou cinco estrelas, além da Sinagoga Resort, ainda na fase de preparação. O estado pode – juntamente com um grupo hoteleiro internacional – tornar o antigo aeroporto da Ponta do Sol num hotel resort. Claro que em Santo Antão não estamos de acordo com a formula “all inclusive”, que esta na moda na Boa Vista. Um hotel de 200 quartos e suites na Ponta do Sol sera um bom incentive para a toda vila.

O que falta em Santo Antão também é uma marina para os yachts internacionais. Um novo cais na Ponta do Sol podia acomodar tanto os pescadores locais como os ricos Europeus e os seus barcos a vela. Repare que em Cabo Verde, só temos um único boa marina, em Mindelo.

Temos grandes promotores do turismo das montanhas na Ribeira Grande, mas não podemos esquecer desenvolver a costa no concelho. Temos montanhas e mar! Mais um hotel resort de 200 quartos e mais uma marina podem ser construidos em Cruzinha, além de pequenos emprendimentos turisticos na costa e nas montanhas. Há espaço nas ribeiras e na costa para mais uma duzena de Pedracins e guesthouses!

Mas tudo isso não se pode fazer sozinho. Uma boa cooperação entre os tres concelhos da ilha e uma boa cooperação entre Santo Antão e o governo na Praia é absolutamente necessário para manter o “lobby Santo Antão” em pé. Porque a ilha precisa de um aeroporto já para descolar!

  1. Fui atentido a este post no blog Plurim, de Fevereiro 2011, com a mesma tema:
    http://plurim.wordpress.com/2011/02/26/ribeira-grande-em-2025-como-sera/
    Vale pena ler tambem!

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